16 julho 2018

O amor que tenho pelos livros


O que eu mais gosto de ler na timeline das minhas redes sociais são comentários de pessoas que frequentam eventos de livros e ficam encantadas com o ambiente do encontro. Recentemente, aconteceu em São Paulo, a Flipop, uma feira do livro organizada pela editora Cia das letras com foco na literatura para jovens. A felicidade e empolgação que eu vi de escritores e leitores que participaram pela primeira vez deste evento me motivaram a escrever este texto.

A primeira ideia que temos da leitura é que ler deve ser um ato solitário. Você deve se aconchegar no sofá da sala ou em um local de silêncio para poder viajar com mais profundidade e curtir melhor um momento de introspecção, porém com a popularização da literatura muita coisa mudou e este tipo de comportamento sofreu alterações positivas.

Você pode ler sossegado em casa, mas é muito divertido mandar um áudio de 3 minutos para a sua melhor amiga contando que está apaixonada pelo senhor Gray, Mister Darcy e um Ceo qualquer da vida e que não consegue dormir porque a história está grudada em sua cabeça. Ou então escrever um textão no facebook agradecendo o seu autor favorito por ter criado um personagem tão incrível que mudou a sua vida. É bom curtir, compartilhar e ajudar a produzir conteúdo para escritores nacionais. É um “trabalho” feito com amor que contribui para o crescimento da literatura.

A leitura atual ultrapassou as barreiras da introspeção e passou a ser uma ação muito mais participativa do que solitária. Já cansei de olhar o título de um livro quando vejo alguém lendo no ônibus e abordar a pessoa para comentar sobre a história. Isso sem falar nos eventos literários em que gritei freneticamente em conjunto com outros leitores quando vimos a capa de algum livro, que nem havia sendo lançado ainda, no telão da livraria.

Quando conto para os meus amigos portugueses que nas bienais do livro existem pessoas que acampam por horas em frente ao local só para chegar perto do se autor favorito, eles ficam surpresos e muitas vezes não acreditam.



No momento, estou trabalhando na Biblioteca pública de Braga em um projeto da Universidade do Minho de remodelação dos livros. Muitas pessoas me olham de rabo de olho e se assustam quando eu falo que carrego livros para lá e para cá todos os dias, mas não tem a menor ideia do que é ficar perto e poder manipular histórias antigas que foram escritas antes mesmo do descobrimento do Brasil.

Tudo bem que estão escritos em latim, francês, alemão, entre outras línguas que eu não entendo, mas só de poder olhar para estes livros, organizá-los com carinho na estante e fazer parte desta história faz com que eu sinta uma realização pessoal muito grande.



Os livros são objetos sagrados que carregam energias distintas e são capazes de nos levar para lugares bem distantes da nossa realidade. Poder andar por entre as estantes, encontrar títulos do século passado, observar a diagramação dos mesmos, ter contato com o inglês, francês e espanhol antigo é incrível. Até revistas e livros escritos completamente em árabe e grego eu já folheei. Isso sem falar nos livros que tem lombadas ou pontas banhados à ouro ou com capas de couro bem antigo.

Outro dia, eu vi um anuário de uma aldeia francesa com vários desenhos banhados a outro e um deles estava retratando um assassinato que havia acontecido neste local. Eles desenharam os corpos pendurados em uma árvore. O tanto quanto macabro, mas continua sendo incrível poder estar em contato com algo tão precioso para mim.



Ler é muito bom e o amor que eu tenho pelos livros é e sempre será incondicional. Cheirar livros, folhear as páginas nas livrarias e sentir o coração acelerar quando consigo conversar com o meu autor favorito é o que estimula a minha imaginação para escrever mais e o que me mantém sã neste mundo de loucos.

Beijinhos,

Carol Estrella 

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