22 julho 2016

O garoto perfeito não é o melhor para você




 * Foto criada pela Altair Hoppe

A mulher tem fama de idealizar o homem ideal, sonhar com o príncipe encantado e escolher o cara mais cafajeste possível para namorar. Claro, que nem tudo funciona assim e que tem mulheres que não caem nos contos de fadas, mas a maioria ignora os conselhos dos pais quando adolescente e acaba se machucando bastante durante a vida.


Outro dia eu estava lendo “A mulher de trinta anos” de Balzac, um livro muito famoso que gerou a expressão “balzaquiana” e me deparei com um trecho fantástico de um pai aconselhando a filha a não se apaixonar por um coronel porque ele aparentava ser uma coisa, mas por dentro era outra. O pai não conhecia o homem direito, mas por ciúmes da filha e por um sexto sentido de proteção que só as pessoas que nos amam têm, ele fez um discurso com argumento sinceros e muito interessantes sobre o rapaz.

 "Pois bem, minha filha, escuta-me! As moças com frequência criam imagens nobres, deslumbrantes, figuras totalmente ideais, e forjam ideias quiméricas acerca dos homens, dos sentimentos, do mundo; depois atribuem inocentemente a um caráter as perfeições que sonharam, e entregam-se a isso; amam no homem que escolheram essa criatura imaginária do infortúnio, a enganadora aparência que embelezam, seu primeiro ídolo, transforma-se enfim num esqueleto odioso."


Na mesma hora, eu me lembrei da época do meu primeiro amor e da quantidade de vezes que o meu pai meu falou para não ser tão dramática que aquele era o primeiro de muitos. No meu primeiro fora, eu fiquei um dia inteiro olhando para o teto pensando no que eu fiz de errado para ser rejeitada, quando levei o meu primeiro chifre então, pior ainda.

Novamente, o meu pai me disse para não levar as minhas paixões juvenis tão a sério e curtir a minha adolescência sem perder tempo me martirizando e me apaixonando por quem não vale a pena, ou talvez valesse a pena para alguém que não eu. É claro que como toda boa adolescente, eu ouvia por um ouvido e mandava os conselhos dele irem dar uma volta lá no Polo Norte e nunca mais voltarem.


Eu gostava de viver no mundo dos sonhos e idealizar o garoto ideal, só que todas as vezes em que fiz isso eu me senti frustrada em algum momento. Isso sem contar na mania besta que eu tinha de me apaixonar por um garoto e só ver as qualidades mesmo com defeitos tão medonhos. Já me apaixonei por um garoto que fumava maconha e bebia demais. Nada a ver comigo, mas eu queria ficar com ele porque ele era popular e diferente. O bad boy da faculdade, sabe? E meu pai mais uma vez interferiu de um jeito um tanto quanto nervoso e me mostrou que eu tinha que encontrar garotos com valores e com alguns gostos parecidos com os meus.

"Ele era o garoto dos meus sonhos! Tão lindo e tão perfeito"

Hoje em dia eu olho para atrás e me sinto uma boboca por ter gostado de garotos que não combinavam comigo, mas estavam na "moda".
 
Eu também tinha a mania de me encantar com garotos opostos. Lia nas revistas que os opostos se atraiam e corria atrás dos mais errados só para provar a teoria. É claro que me magoava e lá estava meu pai com mais um conselho.

Muitas vezes viramos a cara para as pessoas que amamos por birra, revolta ou para não dar o braço a torcer. Passamos por problemas que poderiam ser evitados se nós ouvíssemos os mais experientes. Isso não quer dizer que os mais velhos são detentores de todo conhecimento do mundo e que eles estão inteiramente corretos, mas não custa nada prestar atenção no que o seu pai está lhe dizendo mesmo que muitas vezes os argumentos sejam dotados de ciúmes.

O que tem de pai ciumento por aí não é brincadeira, mas isso é assunto para outro post.

Beijos,



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